ISSN: 1679-4427 | On-line: 1984-980X

Sofrimento psíquico no trabalho: uma análise na pós-modernidade

Psychic suffering at work: an analysis in postmodernity

El sufrimiento psíquico en el trabajo: un análisis en la posmodernidad

Mariana Carneiro Capucho1; Leonardo Dadalto2; Nayane Viale Vargas2; Raquel Colombo Pereira2

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/1679-4427.v16n29.0008

1. Mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo. Docente em Psicologia da Faculdade Multivix, Vila Velha - ES. Telefone: (27) 99987-5450. Endereço eletrônico: mariana.capucho@multivix.edu.br
2. Acadêmico do curso de Psicologia da Faculdade Multivix Vila Velha – ES

Resumo

A sociedade e o trabalho perpassam por diversas transformações sociais ao longo do tempo. Estes impactos influenciam o bem-estar físico, mental e emocional dos trabalhadores, ocasionando o sofrimento psíquico. Esta pesquisa analisou a relação de trabalho na pós-modernidade e o desencadeamento do sofrimento psíquico. Os recursos metodológicos conjugam uma pesquisa exploratória e bibliográfica, com uma abordagem qualitativa e a utilização de uma revisão de literatura narrativa. Os resultados obtidos demonstram mudanças, tanto nas organizações, como nos indivíduos, o que resultou na modificação do modo de organização e gestão. Como consequência, houve uma evolução na frequência de doenças no ambiente de trabalho, ocasionando sofrimento psíquico relacionados em suas mais diversas formas.

Palavras-chave: Condições laborais. Pós-modernidade. Relações de trabalho. Sofrimento psíquico. Transtornos mentais.


Abstract

Society and work go through several social transformations over time. These impacts influences the physical, mental and emotional well-being of workers, causing psychological suffering. This research analyzed the work relationship in post-modernity and the triggering of psychological suffering. The methodological resources combine exploratory and bibliographical research, with a qualitative approach and the use of a narrative literature review. The results obtained demonstrate changes, both in organizations and individuals, which resulted in changes in the way of organization and management. As a consequence, there was an evolution in the frequency of illnesses in the workplace, causing related psychological suffering in its most diverse forms.

Keywords: Working conditions. Postmodernity. Work relationships. Psychic suffering. Mental disorders.


Resumen

La sociedad y el trabajo atraviesan varias transformaciones sociales a lo largo del tiempo. Estos impactos influyen en el bienestar físico, mental y emocional de los trabajadores, provocando sufrimiento psicológico. Esta investigación analizó la relación laboral en la posmodernidad y el desencadenamiento del sufrimiento psicológico. Los recursos metodológicos combinan la investigación exploratoria y bibliográfica, con un enfoque cualitativo y el uso de una revisión narrativa de la literatura. Los resultados obtenidos evidencian cambios, tanto en las organizaciones como en los individuos, que redundaron en cambios en la forma de organización y gestión. Como consecuencia, hubo una evolución en la frecuencia de las enfermedades en el lugar de trabajo, provocando sufrimiento psicológico asociado en sus más diversas formas.

Palabras clave: Condiciones de trabajo. Posmodernidad. Relaciones laborales. Sufrimiento psíquico. Desordenes mentales.

 

INTRODUÇÃO

A sociedade contemporânea está marcada pelas revoluções tecnológicas, sociais, políticas e culturais, influenciadas pelas forças produtivas do sistema capitalista e pelas novas tendências da pós-modernidade.

Nesta pesquisa, o termo pós-modernidade assegura uma linha de pensamento que reflete as noções clássicas de verdade, razão, identidade e objetividade; analisa a sociedade de forma instável, fluída:

Vê o mundo como contingente, gratuito, diverso, instável, imprevisível, um conjunto de culturas ou interpretações desunificadas gerando um certo grau de ceticismo em relação à objetividade da verdade, da história e das normas, em relação às idiossincrasias e à coerência de identidades. (EAGLETON, 1996, p.7).

Para Daros (2022), a pós-modernidade está correlacionada ao processo de globalização. Ou seja, vem com um significado de periodização daquilo que é substituído por um estado anterior (Best; Kellner, 1997). Neste caso, a pós-modernidade veio substituir a modernidade.

Neste sentido, o discurso pós-moderno se apresentou com ideias revolucionárias e emancipatórias de mudanças, muitas dessas influenciadas pelos movimentos dos anos de 1960. No entanto, os movimentos na França, bem como a dissolução dos movimentos políticos e da política revolucionária da época contribuíram para a teoria do sujeito fragmentado e descentralizado (Daros, 2022).

Tais mudanças impactaram diretamente nas relações humanas de uma forma geral e, sobremodo, na relação dos indivíduos com seu modo de subsistência através do seu trabalho. Sendo introduzidas pelo mundo pós-moderno e seu processo de reestruturação produtiva, exigiram uma ressignificação dos contextos laborais modernos, caracterizados pela rápida obsolescência do saber em decorrência das constantes evoluções tecnológicas.

O capitalismo pós-moderno transforma a natureza do trabalho, fazendo com que novos padrões nas rotinas laborais surjam, havendo uma transição do sólido para leve, visando o máximo de satisfação pessoal (Trevizan et al., 2023). Estes novos paradigmas trouxeram implicações no modo de agir das pessoas, bem como reconfiguraram as relações e o ambiente de trabalho, trazendo inseguranças pontuais, instabilidades à categoria trabalho e suas correlações.

Há uma tensão gerada por estes novos paradigmas que marcam as relações de trabalho, fazendo com que o trabalhador desenvolva um sentimento de insegurança e esteja propício a manifestar um processo de adoecimento profissional. Implicações estas que se configuram como objetivo de estudo desta pesquisa, qual seja, analisar a relação de trabalho na pós-modernidade e o desencadeamento do sofrimento psíquico.

Com estes apontamentos acerca das transformações sociais do mundo do trabalho, percebe-se que estas desencadearem um processo de adoecimento advindo do próprio trabalho, derivados do aumento da competitividade, da produtividade, da perda do senso solidário, a inversão de valores, a flexibilização das formas de trabalho entre outros fatores – condições que vêm afetando o bem-estar físico, mental e emocional dos trabalhadores. (Carlotto; Gobbi, 1999).

Surgem-se, assim, as síndromes relacionadas ao sofrimento psíquico no ambiente de trabalho, onde o trabalhador perde sua energia vital e há um aumento do esgotamento profissional, decorrente da relação de mal-estar do trabalhador perante o seu trabalho.

Nesta lógica de transformações sociais e estampada enquanto um mundo líquido (Bauman, 2000), que impõe aos indivíduos a necessidade constante de adaptação e reconstrução, agravam o processo de despersonalização e falta de subjetivação (Dunker, 2004) decorrente das próprias mudanças impostas pela pós-modernidade. Configuram, portanto, em uma possibilidade de desencadeamento do sofrimento psíquico e suas mazelas relacionadas diretamente ao contexto laboral. Por essa razão, nos tempos atuais é comum a prevalência de diversos transtornos e doenças diretamente relacionados, ao até mesmo oriundos do trabalho do indivíduo, tais como Síndrome de Burnout, Transtorno de Estresse Pós-Traumático, Transtorno Depressivos, Transtornos Ansiosos, entre outros.

A partir do aporte teórico que compõe esta pesquisa, este estudo pretendeu suprir parcialmente a lacuna sobre o tema, a qual explica a sociedade pós-moderna e o âmbito do trabalho, como também contextualiza a relação de trabalho brasileira na pós-modernidade. E, por fim, investigou-se o impacto da relação de trabalho na pós-modernidade no desencadeamento de sofrimento psíquico, estabelecendo, assim, como objetivo geral desta pesquisa: analisar a relação de trabalho na pós-modernidade e o desencadeamento do sofrimento psíquico.

Dessa forma, salienta-se que é por meio do trabalho que produzimos bens e riquezas, trazendo certo grau de satisfação pessoal. O trabalho favorece o desenvolvimento social e é intrínseco à natureza humana. Porém, quando não são fornecidas as condições favoráveis para seu manejo, representa uma ameaça a saúde humana (Roseno; Cavalcanti; Freire, 2020).

Podemos citar como condições desfavoráveis ao trabalho o aumento de atribuições a determinada pessoa; jornada de trabalho exaustiva; trabalho insalubre – o que favorece o desenvolvimento de estresse, prejudicando as atividades laborais e provocando esgotamento físico e emocional (Roseno; Cavalcanti; Freire, 2020). Esse estresse e aumento da competição no mercado do trabalho são fatores que desencadeiam nos trabalhadores o sofrimento psíquico devido às novas formas de organização e a relação homem/trabalho. (Lancman; Sznelwar, 2004).

A estruturação e desenvolvimento deste trabalho buscou ampliar o campo de pesquisa, expandindo a produção acadêmica sobre a temática e, ao mesmo tempo, contribuindo na construção de novos saberes na área da Psicologia. Propondo, dessa forma, alargar o debate sobre como definir estratégias para prevenir o esgotamento profissional que impacta na saúde mental e física do trabalhador.

Para isso, este artigo compreende cinco capítulos. Primeiramente, desenvolvemos um capítulo para tratar a sociedade pós-moderna e âmbito do trabalho, abordando conceitos e trajetória do sistema capitalista pós-moderno e como suas transformações afetaram o ambienta laboral. No segundo capítulo, constituímos uma descrição acerca das mudanças nas relações de trabalho. O terceiro capítulo apresenta delineamentos de como essas transformações sociais diante da pós-modernidade impactaram nas relações e no ambiente de trabalho, ocasionado o sofrimento psíquico. Em seguida, caracterizamos de forma sucinta os transtornos mentais e comportamentais acometidos no ambiente laboral, em especifico o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) e a Síndrome de Burnout. E, por fim, apresentamos os resultados com a análise e discussão dos achados desta pesquisa teórica.

 

1 REFERENCIAL TEORICO

1.1 Sociedade pós-moderna e o âmbito do trabalho

A Revolução Industrial causou grandes transformações no sistema de produção e trouxe diversas consequências na configuração social, modificando as esferas sociais, políticas e econômicas. Decisivamente, o surgimento da indústria consolidou o processo de formação do capitalismo:

O século XIX pode ser considerado como o período em que a doutrina liberal atinge seu ápice, quando o Estado delega ao mercado a obrigação de se autorregular, privilegiando os interesses privados do capital, que se impõe de forma hegemônica. Desde os seus primórdios, os capitalistas revelaram as marcas da sua insensibilidade para as condições socioeconômicas da sua mão de obra. Sua lógica de acumulação rentista construiu uma realidade brutalmente desigual. (Marques; Pinheiro; Raslan, 2011, p. 575).

Para Issberner e Mota (2017), a sociedade capitalista atual possui duas características marcantes: a dependência do crescimento econômico e a exclusão social. Este período, conhecido como capitalismo flexível, é marcado pelo poder extraterritorial, pelo avanço tecnológico, por instabilidades e instantaneidade, o que contribuiu com sua lógica destrutiva (Marques; Freitas, 2019).

Neste contexto de crise estrutural, Antunes (2009) demonstra duas tendências que vêm ocorrendo: a de substituição do padrão produtivo taylorista e fordista pelas formas flexibilizadas e a desregulação do modelo social-democrático pelo sistema neoliberal. Nesse sentido, quanto maior a competitividade instaurada nas empresas e corporações, maior os malefícios gerados aos trabalhadores.

As transformações nos processos produtivos ocorridas no final do século XX impactaram também no processo do avanço tecnológico, nas condições e relações interpessoais inseridas no contexto laboral. O aumento da competitividade e a exigência de uma maior produtividade geraram consequências negativas diretas para a saúde física, mental e emocional dos trabalhadores. Nesse sentido, “o ambiente laboral está cada vez mais competitivo, fazendo com que o trabalhador ultrapasse seus limites de tolerância” (Aragão; Barbosa; Nascimento Sobrinho, 2019, p.2).

Para Giroux (1993, p. 15), o “pós-modernismo assinala uma mudança em direção a um conjunto de condições sociais que estão reconstituindo o mapa social, cultural e geográfico do mundo, produzindo, ao mesmo tempo, novas forma de crítica cultural”. Para Trevizan et al. (2023), na pós-modernidade as instituições como família, Igreja, Estado, deixam de ser referenciais para as pessoas, passando a tomar o lugar de referência algo fluido, dinâmico. E essa referência, que permeia o sujeito em todos os seus aspectos e relações, contribui para o surgimento de um homem líquido.

Juntamente com as mudanças dos processos produtivos advindos no sistema capitalista e a inauguração dessa nova etapa na humanidade, surge uma nova mentalidade, mais prática e adaptável, a qual traz mudanças ao mercado de trabalho. Há uma transferência do modelo fordista da modernidade para algo mais leve e flexível: “A quebra com a rotina e a tradição é mais que a tentativa de criar novos padrões, é a de evitar que qualquer padrão que se tenha criado congele em tradição” (Bauman, 2000, p.178).

Nesse sentido, os novos padrões sustentados pela sociedade capitalista pós-moderna fizeram com que o ser humano trocasse tudo aquilo que tinha de sólido (emprego, relações interpessoais, cultura organizacional, solidariedade, tradições etc.), sempre visando ao máximo à sua satisfação pessoal e, quando não houver mais serventia, será descartado (Trevizan et al., 2023).

Para Bauman a modernidade é liquida/fluida por não manter uma forma com facilidade, não fixa o espaço nem prende o tempo, o líquido está sempre pronto e propenso para mudanças, pode apresentar leveza, mas pode ser mais pesado que muitos sólidos. Em essência, a grande mobilidade e o acelerado devir do líquido é um bom representante metafórico da modernidade contemporânea, pois não tem forma distinta e está em constante mudança física. (Soares, 2011, p.2).

Segundo Trevizan et al. (2023), estas transformações fazem com que o ser humano passe a se preocupar mais consigo mesmo, tendo uma supervalorização do eu. O processo de racionalidade instrumental é posto em um contexto de modernidade líquida que traz grandes prejuízos à humanidade, pois a centralidade está na vontade de autossatisfação, deixando outras questões relegadas em segundo plano (Trevizan et al., 2023).

Outro campo impactado por estas transformações foi a política. Com o capitalismo liberal há a defesa de uma interferência mínima do Estado na sociedade, além da defesa do privado em detrimento do público. Para Trevizan et al. (2023), no período sólido havia uma preocupação com os direitos coletivos e sociais, mas no período líquido o interesse é voltado para o capital: “dessa forma a política pública também se esvaziou de conteúdo verdadeiramente público da tarefa de cuidar dos interesses públicos e trata de cuidados e interesses econômicos privados cedendo às pressões do capital” (Oliveira, 2012, p. 31).

O trabalho também foi permeado por essas mudanças. Antes era a base do trabalhador e trazia dignidade, agora traz liquidez. “O trabalho não pode mais oferecer o eixo seguro em torno do qual possa envolver e fixar autodefinições, identidade e projetos de vida” (Bauman, 2000, p.175).

Por anos se pregou a máxima de que quanto mais aperfeiçoado e prático o trabalho, mais satisfatório e leve a vida seria. (Trevizan et al., 2023). No entanto, como Bauman (2000, p.76) assevera, essa satisfação no trabalho está “além do tempo que durar sua satisfação”. E essa leveza posta pela pós-modernidade acarreta instabilidades sociais e trabalhistas.

Tendo por base as considerações feitas acima, traçar-se-á no próximo capítulo um breve panorama conceitual das relações de trabalho no período da pós-modernidade, contextualizando como as relações interpessoais e de laborais se configuram neste cenário.

 

2 RELAÇÕES DE TRABALHO NA PÓS-MODERNIDADE

O trabalho, nos primórdios da humanidade, estava vinculado diretamente ao propósito de sobrevivência humana. Somente nos últimos anos, com os acontecimentos históricos e sociais, o trabalho passou a ser fonte geradora de riqueza e de lucro (Marques; Freitas, 2019).

Como Behring e Boschetti (2011) mencionam, o trabalho antigamente era realizado para satisfação de valores de uso. Porém, com a reconfiguração do capitalismo e as influências modernas e pós-modernas, o trabalho passou a ser regido por um valor de troca, tendo seu caráter abstrato. Conforme assevera Krawulski (2004, p. 12): “o homem passou a ser visto como um componente de uma força de trabalho e se viu transformado de indivíduo em trabalhador: o trabalho passou a significar um instrumento do valor e da dignidade humana.”

Percebe-se que o trabalho, além de representar o meio de subsistência do indivíduo, permitindo a aquisição de recursos para sua sobrevivência, também possibilita a constituição do sujeito e de suas subjetividades, sua identidade e individualidades. No entanto, a manutenção do capital e sua relação com o trabalho é permeada por diversas contradições, dentre as quais destacam-se os impactos oriundos na vida desse trabalhador responsável pela manutenção das forças produtivas do capital.

Como é cediço, o mercado de trabalho atualmente é marcado por características de precariedade e vulnerabilidade (Marques; Freitas, 2019). Isso devido ao processo de reestruturação produtiva que exigiram uma ressignificação dos contextos laborais atuais, caracterizados pela rápida obsolescência do saber em decorrência das constantes evoluções tecnológicas.

Em um contexto extremamente exigente e competitivo, sobremodo marcado pela rápida obsolescência dos saberes, o indivíduo deve estar sempre pronto para mudar e se adaptar às novas demandas do mercado, introduzidos também pelas novas tecnologias que surgem diariamente. Estas transformações no mundo do trabalho “afetaram a forma de ser da classe trabalhadora, tornando-a mais heterogênea, fragmentada e complexificada” (Antunes, 1998, p. 67).

Antunes (1998) corrobora ainda mencionando que esta classe trabalhadora que se fragmenta, heterogeniza e se complexifica na proporção em que há uma maior qualificação nos setores com o aumento da intelectualização da mão de obra e, em contrapartida, a desqualificação em outros ramos. Tendo uma divergência de uma minoria de trabalhadores muitos qualificados e preparados para uma grande massa precarizada, sem qualificação, em que a grande maioria não é absorvida pelo mercado de trabalho.

Essas mudanças introduzidas pela pós-modernidade fazem com que surja uma classe trabalhadora diversificada entre qualificada e não qualificada, entre mercado formal e informal e, consequentemente, precarizem as formas de relações trabalhistas e interpessoais no ambiente do trabalho. Pode-se, então, perceber que o mercado de trabalho passou por um processo de reestruturação produtiva em que o nível de exigência de qualificação profissional é cada vez maior. Nos tempos modernos, é exigido que o trabalhador seja completo, ou seja, que possua habilidades como agilidade, produtividade, inteligência emocional, domínio de outros idiomas, criatividade e estar sempre atualizado (Vasconcelos; Faria, 2008).

Além disso, as transformações impostas pela pós-modernidade e o globalismo afetaram não apenas os sujeitos em si, mas as organizações de uma forma geral, que precisaram rotineiramente adaptar suas estruturas e atividades para sobreviverem às novas dinâmicas do mercado mundial e continuarem competitivas (Vasconcelos; Faria, 2008). Como menciona Marques e Freitas (2019, p.7): “o capitalismo pós-moderno modifica a natureza do trabalho, bem como seus modos de organização e de gestão e, sobretudo, as relações interpessoais que os trabalhadores estabelecem no contexto laboral”.

Via de consequência, as relações interpessoais também se liquefizeram (Trevizan et al., 2023). Essa liquidez se dá pelo processo de individualização instalado pela leveza e fluidez da modernidade, “a individualização é uma fatalidade, não uma escolha” (Bauman, 1999, p. 47). Atualmente, as relações interpessoais também se tornaram objetos de consumo com prazo de validade e, se essas relações não mais satisfazem as necessidades do indivíduo, acabam por serem descartadas, transformando-se em relações de usufruto (Trevizan et al., 2023).

Esse consumo por parte do indivíduo na pós-modernidade se caracteriza como uma analgesia na atualidade. Há uma inversão de valores, como Trevizan et al. (2023) alude, há uma inversão axiológica, onde a sociedade é permeada por um vazio existencial e, consequentemente, este é suprimido pela tentativa de satisfação imediata em todos os aspectos da vida humana, bem como em suas relações humanas interpessoais e de trabalho.

Uma vez que essa satisfação não é atingida ou satisfeita por completo, recorrem-se a determinados vícios, sejam lícitos ou ilícitos, como mecanismos de sanar o vazio existencial latente. Como trouxe Bauman: “Movemo-nos e continuaremos a nos mover não tanto pelo adiantamento da satisfação, como sugeriu Max Weber, mas por causa da impossibilidade de atingir a satisfação” (Bauman, 1999, p.40).

No entanto, por se tratar de prazeres passageiros e que não trazem a satisfação total, funcionam apenas de modo superficial, não dando conta de dar vazão ao tensionamento originado no aparelho psíquico do indivíduo. Essa repressão da pulsão que “não se faz representar no aparelho psíquico encontra frequentemente descarga direta no corpo e, portanto, em doenças físicas” (Hallack; Silva, 2005, p. 76) e psíquicas. Nesse sentido, o ser humano é acometido pelos processos de adoecimento no contexto laboral que, em sua forma física, mental ou emocional, se revelam como reflexos de uma pós-modernidade líquida (Bauman, 2000).

 

3 O SOFRIMENTO PSÍQUICO NO MUNDO DO TRABALHO

No século XIX, o capitalismo industrial se consolida e, no século seguinte, os avanços tecnológicos abrem caminho para a produção em larga escala e, consequentemente, ocorre o fenômeno da globalização. Com essas alterações no modo de produção, a vida das populações é impactada de forma a também aumentar seu sofrimento. Surgem, neste contexto, ciências como a Medicina e a Saúde do Trabalho, Segurança do Trabalho, Saúde Ocupacional (Costa; Medeiros, 2013)

O tema sofrimento psíquico no trabalho já é tratado no Brasil há algum tempo, em especial a partir da década de 1980 (Sato; Bernardo, 2005), existindo uma vasta literatura a respeito da relação entre saúde mental e trabalho produzida no Brasil (Gradella Júnior, 2010). Antes disso, ao partir da década de 1940, as então denominadas ciências do comportamento já tratavam da saúde mental dos trabalhadores. Entretanto, aqui os diagnósticos identificavam a origem dos problemas de saúde mental no próprio trabalhador, negligenciando o aspecto das relações de trabalho e suas condições. Ou seja, há uma certa disposição em culpabilizar a vítima (Sato; Bernardo, 2005).

É constatado um aumento da frequência de registros de doenças no ambiente de trabalho ano a ano, estimulando estudos que correlacionem o surgimento de doenças e a organização do trabalho e as mudanças nas relações sociais de produção. Acontecimentos gerados pelo globalismo e abertura econômica como a revolução tecnológica, aumento de circulação do capital financeiro e um novo sistema de comunicação digital influenciam as pessoas, as organizações e a sociedade em geral, que precisam se adaptar à essa nova realidade (Vasconcelos; Faria, 2008).

Observa-se, dessa forma, uma pressão destinada aos trabalhadores em quase todos os países. Uma ameaça qualquer os fazem sentir sobressaltados, uma vez que poderiam ser dispensados a qualquer tempo. Isso torna-se mais grave, em especial, para aqueles que têm sua força de trabalho como a única forma de sobrevivência. Há, aqui, um sentimento de impotência e de desvalorização, ferindo o psiquismo humano (Heloani; Capitão, 2003).

Neste sentido, pode-se afirmar que o trabalho no capitalismo se apresenta como fonte de alienação e desumanização. É no trabalho que se reproduzem as relações alienadas inerentes ao capitalismo e, conforme Heloani e Capitão (2003), a desumanidade das relações humanas é instaurada pelo capital. Essas relações de companheirismo e amizade acabam não acontecendo no período de trabalho, fatia do tempo em que o trabalhador passa a maior parte do seu dia, tornando-se relações passageiras, competitivas e fugazes. Este cenário de quebra de vínculo nas relações humanas no trabalho acaba propiciando o surgimento do assédio moral, expondo trabalhadores a diversas situações degradantes.

Além disso, Gradela Júnior (2010) pondera que a produção capitalista se apõe às forças intelectuais, no sentido de que o processo de produção é um processo de dissociação, levando o trabalhador a ser parcial, separando-o do trabalho. Assim, a divisão se processa com a ruptura entre o trabalho material e o intelectual delimitado.

Franco et al. (2010) discutem como a saúde mental é prejudicada pelas contradições envolvendo a modernização e a precarização do trabalho. Essa precarização ratifica a perda da razão social laboral, gerando adoecimentos e violência. A busca por resultados, tendo como pano de fundo a competividade e da excelência nas organizações acaba gerando discriminação ou exclusão dos que demonstram seus limites enquanto seres humanos. Esta lógica é perversa, causando danos à saúde mental dos trabalhadores e instalando uma cultura de assédio nas instituições.

Os autores ainda trazem no artigo uma relação de perdas e impedimentos relacionados à vulnerabilização e precarização social e do trabalho, dentre os quais podemos destacar: perda de suportes sociais e afetivos; perda de confiança; renúncia à ética; silenciamento; perda da possibilidade de autenticidade; perda de respeito; impedimento a ser reconhecido etc. (Franco et al., 2010).

No âmbito das organizações, vemos uma existência paralela entre práticas de saúde mental e o aumento de competividade, bem como uma pressão por produtividade cada vez maior. Neste cenário, o indivíduo deveria estar sempre pronto para as diversas mudanças (Vasconcelos; Faria, 2008). A produtividade não leva em consideração o ser humano e desencadeia práticas agressivas entre os colegas de trabalho e indiferença no que diz respeito ao sofrimento do outro, deixando marcas no corpo, que se manifestam nas mais diversas doenças ocupacionais, atentando também contra a saúde mental (Heloani; Capitão, 2003).

Neste contexto em que o trabalhador aprende a reprimir seus sentimentos e sua agressividade, acaba sendo gerada a repressão do funcionamento psíquico do sujeito, desprovendo sua atividade de significação (Vasconcelos; Faria, 2008). Segundo Gomes (2017), o afastamento entre o comportamento real e o que é exigido (ideal) acabam originando o sofrimento no trabalho. Entre os líderes, o medo de não ser reconhecido e a preocupação excessiva com sua imagem e com seu sucesso acabam se tornando sua fonte de sofrimento. Nesse sentido, numa tentativa de atender às exigências de produtividade das organizações, o trabalhador se torna vulnerável ao adoecimento.

A própria organização do trabalho acaba impedindo o uso da comunicação espontânea, da autonomia do sujeito e de sua criatividade. O trabalhador é exposto a um ambiente de repressão, trazendo consequências como gastrites, úlceras, dores de cabeça, depressão, estresse, fadiga crônica e insônia. Apesar dessas percepções por parte dos trabalhadores ao responderem a pesquisa de Vasconcelos e Faria (2008), os autores não identificaram nenhuma mobilização por parte dos trabalhadores em prol de uma organização do trabalho que trouxesse menos impacto para a saúde mental. Completam os autores que a lógica do individualismo, provocada pelo silêncio do sofrimento, acaba tornando a doença algo individual, com uma solução individual, seja o desligamento ou o afastamento ou o medicamento objetivando a manutenção da força de trabalho.

Em sua pesquisa, Vasconcelos e Faria (2008) constataram ainda que os entrevistados afirmaram, em sua totalidade, que o trabalho pode influenciar, prejudicar ou aumentar o sofrimento e adoecimento mental. Os relacionamentos, em especial os que envolvem relação de poder, poderiam causar sofrimento para os sujeitos. Os autores classificam os contextos geradores de sofrimento no trabalho: falta de trabalho ou ameaça de perda deste; trabalho sem significação, sem sentido e reconhecimento; situações de fracasso; ambientes onde a comunicação espontânea é cerceada; fatores relacionados ao tempo, ritmo e turno de trabalho; longas jornadas de trabalho; pressão por produtividade; altos níveis de exigência de concentração no trabalho e vivência de acidentes traumáticos no ambiente de trabalho.

Ademais, constata-se que muitos problemas do passado persistem atualmente (Sato; Bernardo, 2005). Costa e Medeiros (2013) afirmam que, além das lesões mais comuns nos membros superiores e inferiores e dores nas costas, vale destacar a incidência de transtornos mentais e comportamentais – doenças geradas pelo trabalho. Acrescentam sinalizando que o desemprego também é causa de sofrimento psíquico, uma vez que há a iminência de perda dos meios para a subsistência do sujeito e de sua família e, além disso, impactando sua posição social.

Para além do indivíduo, Heloani e Capitão (2003) abordam que a saúde mental não busca apenas a cura e prevenção das doenças, visando atualmente também ao esforço no sentido de melhorar as condições de saúde da população. Há um olhar não direcionado só para a doença, mas para a saúde e a forma como vivem os seres humanos como, por exemplo, a medida em que trabalham e se divertem, sendo considerada um critério para avaliação do funcionamento psíquico saudável.

Neste aspecto, é importante refletir também acerca do ambiente econômico e social em que se passam essas relações. Em seu trabalho, Safatle e Dunker (2021) relacionam a ascensão do neoliberalismo com a reformulação do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-III), explorando cada vez mais os fármacos e expandindo seu objetivo central para, além de tratar o sofrimento psíquico, passar a potencializar as performances do sujeito relacionadas ao mundo do trabalho. Os autores discorrem sobre o fato de o sofrimento psíquico ser produzido e também gerido pelo neoliberalismo e, portanto, essa nova forma de vida (neoliberal) retira uma maior produção e prazer do próprio sofrimento. Assim, “Controlar a gramática do sofrimento é um dos eixos fundamentais do poder” (Safatle; Dunker, 2021, p. 13).

O trabalho humano, sendo intrinsicamente ligado à sua subsistência, bem como com a construção de sua identidade social e pessoal, configura-se como um determinante no processo saúde-doença (Silva et al., 2023). Tal processo relaciona-se diretamente ao mercado de trabalho e às relações laborais nele instituídas, as quais são estabelecidas de acordo com o modelo econômico e social vigente no período vivido pela humanidade.

Tratando-se então de um modelo capitalista flexível pós-moderno, decorre, a partir daí, a origem de diversas mazelas que impactaram negativamente na saúde física e mental dos trabalhadores, tais como a falta de flexibilidade na carga horária, o abismo e segmentação existentes entre o trabalho formal e informal, as condições de trabalho insalubres e hostis, as baixas remunerações, os relacionamentos superficiais surgidos do ambiente laboral, entre outros.

A partir do momento que sua fonte de produtividade e renda não mais constitui esse sujeito em si, mas acaba por rotinizar e amortecer o sentido de sua existência, tem-se como consequências diretas a fragmentação dos laços afetivos e consequente falta de prazer, sensação de esvaziamento e inutilidade, tristeza e sofrimento psíquico (Vasconcelos; Faria, 2008). Ou seja, o ambiente, que era antes sua fonte de renda e modo de subsistência, acaba por se tornar um propiciador de adoecimento físico e mental ao indivíduo.

 

4 TRANSTORNOS MENTAIS DECORRENTES DE SOFRIMENTO PSÍQUICO NO TRABALHO

Nos tempos atuais, é comum a prevalência de diversos transtornos e doenças diretamente relacionados ou até mesmo oriundos do trabalho do indivíduo, tais como a Síndrome de Burnout, os Transtorno Depressivos, os Transtornos Ansiosos, o Transtorno de pânico, as fobias, o Transtorno de Estresse Pós-traumático, entre outros. Pode-se citar, a título de exemplo, alguns contextos relacionados ao ambiente laboral e que podem dar origem ao sofrimento psíquico dos indivíduos neles inseridos:

(a) a falta de trabalho ou a ameaça de perda de emprego; (b) o trabalho desprovido de significação, sem suporte social, não reconhecido; (c) situações de fracassos, acidente de trabalho ou mudança na posição hierárquica; (d) ambientes que impossibilitam a comunicação espontânea, manifestação de insatisfações e sugestões dos trabalhadores em relação à organização; (e) fatores relacionados ao tempo, o ritmo e o turno de trabalho; (f) jornadas longas de trabalho, ritmos intensos ou monótonos, submissão do trabalhador ao ritmo das máquinas; (g) pressão por produtividade; (h) níveis altos de concentração somada com o nível de pressão exercido pela organização do trabalho e (i) a vivência de acidentes de trabalho traumático (Vasconcelos; Faria, 2008, p. 455).

É nesse mesmo sentido que Dejours (1992) afirma que o sofrimento psíquico está presente em trabalhadores desmotivados, que não realizam atividades que gostam e, dessa forma, seu trabalho falha ao permitir a descarga pulsional de experiências prazerosas reprimidas. Tal autor entende que, ao executar uma tarefa sem envolvimento afetivo ou emocional, exige-se do sujeito um esforço de vontade muito maior que em outras circunstâncias em que há presença do desejo e motivação (Dejours, 1992). A vivência depressiva em relação ao seu trabalho leva ao que o Dejours chama de “adormecimento intelectual” e de “paralisia da fantasia e da imaginação”, afetando a expressão da subjetividade, levando ao sofrimento em todas as suas dimensões.

Ao se falar especificamente sobre os possíveis transtornos mentais decorrentes de sofrimento psíquico no contexto laboral, o Ministério da Saúde (Brasil, 2001) traz uma relação de 12 grupos de transtornos mentais e do comportamento relacionados ao trabalho, dentre os quais se destacam o alcoolismo crônico, os episódios depressivos, os estados de estresse pós-traumáticos, a neurastenia (síndrome da fadiga crônica), a neurose profissional, os transtornos do sono e a sensação de estar acabado (Síndrome de Burnout e a Síndrome do Esgotamento Profissional).

Ante uma vasta variedade de processos de adoecimento que podem decorrer ou estão diretamente relacionadas ao âmbito laboral, dois em específico ganham bastante destaque e merecem uma breve explanação, a título de exemplo: o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) e a Síndrome de Burnout.

O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), segundo os critérios do DSM-5 (2014), compreende um transtorno de ansiedade que se desenvolve após a exposição do indivíduo a eventos traumáticos. Segundo Dalgalarrondo (2019):

O TEPT se caracteriza por lembranças ou recordações vívidas que invadem a consciência do indivíduo que passou pelo trauma, os chamados flashbacks (ou em forma de pesadelos). Estes, com frequência, se acompanham por emoções fortes e profundas, com ansiedade, medo e/ou horror e sensações físicas marcantes. Ocorrem, assim, de forma recorrente, a intensa sensação física e/ou sentimento de que se está imerso nas mesmas emoções de quando se experimentou o evento traumático (Dalgalarrondo, 2019, p. 659).

Tais eventos traumáticos podem se originar ou estar amplamente imbricados com o ambiente de trabalho do indivíduo. Não é à toa que no Brasil se utilizam as seguintes categorias para classificar as relações de saúde e as condições de trabalho: trabalho insalubre; trabalho perigoso e trabalho penoso. (Gradella Júnior, 2010). Sato e Bernardo (2005) trazem em seu artigo cinco grupos de problemas que podem constituir a área de Saúde Mental e Trabalho: a relação entre saúde mental e organização do processo de trabalho; efeitos neuropsicológicos decorrentes da exposição a solventes e metais pesados; repercussões psicossociais provenientes dos acidentes e doenças de trabalho; sofrimento psíquico ligado às situações de risco no trabalho e situações de desemprego prolongado.

Já a Síndrome de Burnout é caracterizada pelo início de um processo com exaustivos e delongados níveis de estresse laboral. Esse estresse laboral é compreendido como um desequilíbrio entre as tarefas laborais e a competência de enfrentamento dessas tarefas pelos trabalhadores (Aragão; Barbosa; Nascimento Sobrinho, 2019). A síndrome é decorrente de exposições contínuas de um ambiente estressor (Roseno; Cavalcanti; Freire, 2020), mas que se difere do estresse comum pois, neste caso, o estresse advindo do ambiente de trabalho é o elemento principal para sua ocorrência, ou seja, os desequilíbrios causados no ser humano decorrem propriamente do seu local de trabalho (Jarruche; Mucci, 2021).

Essa síndrome pode desencadear alguns sintomas como exaustão emocional e distanciamento afetivo (Cândido; Souza, 2017), tais como: falta de esperança; isolamento; depressão; raiva; impaciência; irritabilidade; tensão; falta de empatia; distúrbios do sono e suscetibilidade para outras doenças (Trigo et al., 2007). Permeia também um sentimento de que “muito pouco tem sido alcançado e o que é realizado não tem valor” (Trigo et al., 2007, p. 225), não se realizando e nem se satisfazendo profissionalmente. Por consequência, o sujeito que desenvolve a Síndrome de Burnout apresenta desinteresse e perda de comprometimento com o trabalho (Cândido; Souza, 2017).

É nesse sentido que Dejours (1994) distingue duas formas de sofrimento: o sofrimento criador e o sofrimento patogênico. O sofrimento criador possibilita ao indivíduo o processo de significação em sua relação com o trabalho, através de ações criativas que contribuem para superação do sofrimento, bem como a estruturação de sua identidade, aumentando a resistência do sujeito às diversas formas de adoecimento físico e psíquico. O sofrimento patogênico (Dejours, 1994), por outro lado, aparece justamente quando falha o processo de ressignificação do trabalho por meio do sofrimento criador. Ou seja, quando todas as possibilidades de transformação, aperfeiçoamento e gestão da forma de organizar o trabalho já foram tentadas, porém fracassaram, restando apenas a sensação de incapacidade.

 

5 METODOLOGIA

Conforme Minayo (2009), a pesquisa é uma atividade essencial da ciência para realização de indagações e construções da realidade por parte do pesquisador. Para isso, emprega-se primeiramente a teoria “[...] construída para explicar ou para compreender um fenômeno, um processo ou um conjunto de fenômenos e processos” (Minayo, 2009, p.17) e, posteriormente, o método na qual consiste “[...] na organização dos caminhos a serem percorridos para se realizar uma pesquisa ou um estudo” (Souza, 2017, p. 18).

A metodologia de pesquisa empregada para o desenvolvimento desse estudo foi a pesquisa exploratória com uma abordagem qualitativa. Quanto ao procedimento, consistiu-se em uma pesquisa bibliográfica para construir uma leitura e compreensão da realidade, com uma revisão de literatura narrativa.

5.1 Classificação da pesquisa

Para o desenvolvimento desta pesquisa foi preciso seguir algumas etapas:

5.1.1 Quanto à abordagem

O uso da pesquisa qualitativa permite conseguir formas mais aprofundadas do problema delineado (MINAYO, 2009). Para Minayo (2009, p. 22) a “[...] abordagem qualitativa se aprofunda no mundo dos significados das ações e relações humanas.” O que está de acordo com os fins deste estudo, em específico analisar a ligação entre relação de trabalho na pós-modernidade e o desencadeamento do sofrimento psíquico.

5.1.2 Quanto ao procedimento técnico

A fundamentação teórica foi baseada em autores que se aproximam do objeto desta pesquisa, tendo como referencial os campos da Psicologia e, para isso, utilizou-se como procedimento técnico a pesquisa bibliográfica, a qual busca a resolução de um problema por meio de referenciais teóricos publicados, analisando e discutindo as várias contribuições científicas.

Fonseca (2002, p. 32) menciona que a pesquisa bibliográfica se utiliza de referenciais “[...] escritos e eletrônicos, como livros, artigos científicos, páginas de web sites.” Assim, as fontes desta pesquisa foram obtidas de livros, artigos, publicações escritas ou eletrônicas sobre o tema delimitado. Essas fontes foram selecionadas e registradas na forma de fichamento de citação, depois organizadas as ideias principais do tema, para elaboração desta pesquisa.

A revisão de literatura utilizada foi a narrativa, podendo ser descrita como uma etapa essencial que reúne as fontes de pesquisa que servirão de embasamento teórico para este projeto. Neste sentido, visando a compreender alguns conceitos como relação de trabalho, sofrimento psíquico, ansiedade, depressão, fobias, transtorno do pânico, Síndrome de Burnout, pós-modernidade, esgotamento profissional, doença de trabalho, sistema capitalista, sociedade líquida. E, para alcançar os objetivos sugeridos nesta pesquisa, utilizamos como base teórica os estudos desenvolvidos nas áreas sociais nas bases da Psicologia.

Para realizar a revisão de literatura sobre os assuntos que perpassam o tema proposto, foi feito um levantamento nas bases de dados do GoogleTM Acadêmico que abordavam artigos na temática deste trabalho, utilizando os textos de dissertações, teses e artigos. As buscas por estes dados foram realizadas por correlação de alguns termos selecionados, sendo eles: relação de trabalho x pós-modernidade; sofrimento psíquico x relação de trabalho; sofrimento psíquico x pós-modernidade; sociedade líquida x trabalho; sistema capitalista x relação de trabalho. Foi delimitado o período de tempo de busca a partir dos anos de 1990, quando surge a sociedade do conhecimento e os debates sobre a sociedade pós-moderna e seus impactos no mundo do trabalho.

 

6 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A ressignificação dos espaços laborais no mundo pós-moderno e a transformação da natureza do trabalho induzida pelo capitalismo trazem consigo uma reconfiguração de relações no ambiente de trabalho, principalmente através das transformações decorrentes da Revolução Industrial que impactaram o sistema de produção. Essa questão resulta em modificações significativas no contexto social, enfraquecendo as relações sociais em busca da excelência e da produtividade (Marques; Freitas, 2019). O mercado de trabalho também é afetado, caracterizado agora pela precariedade, vulnerabilidade e fragmentação (Marques; Freitas, 2019).

Essas mudanças não afetam apenas os indivíduos, mas também as organizações que, devido à competitividade, precisam se adaptar continuamente, modificando seus métodos de organização e gestão (Vasconcelos; Faria, 2008; Marques; Freitas, 2019). No âmbito político, observa-se uma tendência para uma interferência mínima do Estado no sistema liberal, com foco no capital (Trevizan et al., 2023; Oliveira, 2012). Neste contexto, o trabalho perde sua antiga segurança e dignidade (Bauman, 2000).

Neste cenário, o trabalhador deve estar constantemente preparado para as mudanças, dada a competitividade e o avanço das tecnologias, o que demanda adaptação contínua, resultando em uma classe trabalhadora mais fragmentada e complexa (Antunes, 1998). Além da exclusão, observa-se uma divisão entre uma minoria altamente qualificada e uma grande massa sem qualificação e excluída do mercado de trabalho (Antunes, 1998). As exigências crescem, esperando-se que o trabalhador seja completo, ágil, produtivo, criativo e constantemente atualizado, entre outras habilidades exigidas (Vasconcelos; Faria, 2008).

A pressão resultante dessas mudanças gera sentimento de impotência, desvalorização e ameaça aos trabalhadores, especialmente para aqueles que dependem exclusivamente do trabalho para sobreviver (Heloani; Capitão, 2003). Além disso, o trabalho não se limita à subsistência, mas também desempenha um papel fundamental na construção da identidade pessoal e social, influenciando significativamente no processo saúde-doença (Silva et al., 2023).

Com a disseminação do sistema de produção capitalista, surge uma nova forma de criação que está associada à dissociação ou divisão entre o trabalho intelectual e o material (Gradelha Júnior, 2010). Essa dinâmica de trabalho no capitalismo é uma fonte de alienação, resultando em relações laborais desumanizadas, transitórias, competitivas e carentes de significado, companheirismo e amizade, o que favorece o surgimento de fenômenos como o assédio moral (Heloani; Capitão, 2003). Essa lógica de relações laborais prejudica a saúde mental dos trabalhadores (Franco et al., 2010).

Na nova realidade, o surgimento do “homem líquido” redefine as instituições tradicionais, priorizando a satisfação pessoal em detrimento da coletividade. As relações interpessoais no trabalho tornam-se fluidas devido ao processo de individualização do trabalhador (Bauman, 1999), transformando-se em objetos de consumo que podem ser descartados quando não atendem mais às necessidades individuais, refletindo uma cultura de satisfação imediata em todos os aspectos da vida (Trevizan et al., 2023). Quando essa satisfação não é alcançada, os indivíduos podem recorrer a vícios como uma forma de preencher o vazio existencial em um ciclo contínuo sem alcançar a verdadeira satisfação (Bauman, 1999).

Diante desses acontecimentos, torna-se imperativo o estudo desse fenômeno. No Brasil, a questão do sofrimento psíquico no trabalho começou a ser abordada especialmente a partir da década de 1980, com diagnósticos que enfocavam as origens dos transtornos no trabalhador, negligenciando aspectos relacionados às condições de trabalho e às relações interpessoais nesse ambiente (Sato; Bernardo, 2005). Com o tempo, observou-se um aumento na incidência de doenças no ambiente de trabalho, associado à organização do trabalho e às mudanças na forma de produção (Vasconcelos; Faria, 2008).

No passado, o trabalho estava ligado à sobrevivência da espécie humana, porém, atualmente, tornou-se uma fonte de lucro (Marques; Freitas, 2019), regido pelo valor de troca (Behring; Boschetti, 2011). A pressão constante por uma produtividade crescente promove práticas agressivas nas relações humanas no ambiente de trabalho, podendo resultar em doenças ocupacionais e mentais (Heloani; Capitão, 2003).

Neste ambiente adverso, que inibe a comunicação espontânea, a autonomia e o uso da criatividade, o trabalhador tende a reprimir seus sentimentos e agressividades, resultando na supressão de seu funcionamento psíquico (Vasconcelos; Faria, 2008). Isso cria um descompasso entre o comportamento real e o exigido pela organização, gerando sofrimento no trabalho (Gomes, 2017) e levando ao que pode ser descrito como um “adormecimento intelectual” e à “paralisia da fantasia e da imaginação” (Dejours, 1992).

O sofrimento psíquico está presente no trabalhador desmotivado, que não encontra satisfação em suas atividades laborais, exigindo um esforço muito maior do que se estivesse realizando algo que o motivasse e que despertasse seu desejo (Dejours, 1992). De acordo com Dejours (1994), existem duas formas de sofrimento: um ligado à criação, que pode ser superado por meio de ações criativas e o patogênico, que surge quando a capacidade criativa falha, resultando em uma série de transtornos e doenças relacionadas ao ambiente de trabalho.

Ao considerarmos a coletividade, torna-se essencial observar as condições de saúde da população em geral, não apenas focando na doença, mas também em como as pessoas vivem, trabalham e passam seu tempo livre, aspectos que podem indicar um funcionamento psíquico saudável (Heloani; Capitão, 2003). Além disso, é importante examinar o contexto em que surgem as relações de doença no ambiente de trabalho. Isso inclui a análise de como a indústria neoliberal explora economicamente o sofrimento (Safatle; Dunker, 2021).

Desta forma, torna-se necessário questionar até que ponto a sociedade pós-moderna está alinhada com o conceito de trabalho decente preconizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT, 2023), o qual deve ser de qualidade e proporcionar ao trabalhador condições de liberdade, equidade, segurança e dignidade humanas, como preconizado.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo teve como objetivo principal analisar como as relações de trabalho foram impactadas com o surgimento da pós-modernidade e de que forma tal contexto contribuiu para desencadeamento do sofrimento psíquico dos trabalhadores.

Conforme se constatou nesta pesquisa, o trabalho na sociedade pós-moderna, muito além de uma mera fonte de renda, contribui na estruturação da identidade do sujeito. É por meio dele que os indivíduos possuem a possibilidade de realização (pessoal e profissional), de expressão de suas competências e de integração social com seus pares.

Porém, os desafios impostos pelo processo de reestruturação produtiva, sobretudo devido às inovações tecnológicas, conduziram a mudanças não apenas na dinâmica em si do trabalho desenvolvido, com a intensificação do seu ritmo e o surgimento de outras modalidades laborais (como o trabalho informal), mas principalmente no processo saúde-doença dos trabalhadores envolvidos.

Nesse sentido, conforme aqui abordado, a perda de reconhecimento de sua identidade pessoal e social, amplamente associada ao sentimento de impotência e desvalorização vivenciado pelo trabalhador, são algumas dentre as diversas facetas presentes no contexto laboral pós-moderno. Portanto, a relação entre sujeito-trabalho passou muitas vezes a assumir uma trajetória patológica, com o desenvolvimento de diversos transtornos mentais e sofrimento psíquico decorrente e/ou associado diretamente do contexto laboral dos indivíduos, o que vem chamando atenção de especialistas no mundo inteiro.

Em relação especificamente aos resultados esperados propostos nos objetivos, acredita-se que foram alcançados, a exemplo da busca por ampliar o campo de pesquisa e expandir a produção acadêmica sobre a temática abordada. Eis que os impactos da globalização, a competitividade acirrada, a precarização das formas de emprego, as exigências cada vez maiores de qualificação profissional são alguns dos exemplos dentre as diversas causas que têm impactado na saúde mental dos trabalhadores, o que se tornou inclusive uma problemática de Saúde Pública.

Este estudo não se encerra com estas considerações finais, mas abre espaço para outros questionamentos em relação à Saúde Mental no Trabalho e para novas pesquisas. Sugere-se o desenvolvimento de pesquisas de campo a fim de aprofundar as discussões e resultados levantados a partir deste estudo. Assim, expandir a produção acadêmica sobre o tema possibilita a construção de novos saberes e novas discussões, a fim de se pensar em estratégias e possibilidades para prevenir o esgotamento profissional e a promoção de Saúde Mental do trabalhador.

Por fim, ressalta-se a pertinência em se discutir e analisar os contornos e significados que a relação trabalho-sujeito-doença vem tomando na sociedade pós-moderna, como forma de ressignificar a identificação desse sujeito com o seu labor. Dessa forma, propõe-se que o trabalho represente não uma negatividade em vida, através do adoecimento (físico ou mental), mas que, ao contrário, possibilite uma forma de expressão de suas subjetividades, essencial no processo de identificação, individualização e estruturação desse sujeito pós-moderno.

 

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