ISSN: 1679-4427 | On-line: 1984-980X

EDITORIAL

Wanderley Magno de Carvalho

DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/1679-4427.v16n29.0001

Editor adjunto da Revista Mental

 

É com renovado entusiasmo que apresentamos ao leitor o vigésimo nono volume da Revista Mental com mais um ensaio de um “porta-voz” de uma importante comunidade que padece de sofrimento mental, em decorrência discriminação social. Dando continuidade à proposta de dar ouvidos a grupos que ficam à margem da sociedade “iluminada”, o ativista negro, diretor e apresentador do canal MINAS NEGRAS GERAIS no Youtube, Rogério Lazur, “ilumina” um tanto da realidade social dos pretos no Brasil; na sequência, temos contribuições de autores de diversos estados brasileiros - São Paulo, Goiás, Paraná, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais - enriquecendo em vários tons esta publicação e assim contribuindo para a sua melhor apreciação. Precisamos realçar também a quantidade e a qualidade dos pareceristas que vimos agregando ao Conselho Científico da Revista, o que contribui para a excelência dos trabalhos, com a competência profissional dos seus diversos olhares críticos.

Começamos com os artigos que tratam dos efeitos psicológicos, ainda sentidos como resultantes da recente pandemia de Covid-19, e das relações entre a infância dos brasileiros e a psiquiatria, psicologia e psicofarmacologia. Embora o fim da emergência de saúde pública internacional associado à pandemia tenha sido decretado pela OMS em maio de 2023 e, no Brasil, em abril de 2022, vivemos sob seus efeitos, mormente em seu aspecto psicológico. O nome sindemia comtempla esse aspecto pois abrange o agente mórbido e as variáveis psicossociais causadoras da doença. Isto é o que aprendemos com Biz et al no artigo aqui publicado, sobre risco de suicídio nos períodos pré e pós-pandemia. O estudo investiga o perfil epidemiológico de pacientes com ideação e comportamento suicida, internados no Hospital Psiquiátrico Itupeva (HPI), em São Paulo.

Outros dois trabalhos trazem outros aspectos do mesmo tema. O de Moreto, Nukui e Antunes trata dos desafios quanto ao estágio e supervisão de atendimentos clínicos on-line durante aquele período; e o de Victor, Moraes e Franco aborda o impacto psicossocial da pandemia em idosos com diabetes, enfatizando as implicações para o período pós-pandêmico. Do artigo das primeiras, depreende-se a importância da Psicologia adaptar-se, com seu setting terapêutico, à realidade de catástrofes naturais sempre que elas ocorrem (atualmente temos o caso da inundação e enchentes no Rio Grande do Sul). Do segundo, resultado de uma pesquisa retrospectiva, descritiva, quantitativa e documental, ressaltamos com os autores que, durante a pandemia, mulheres e idosos emergiram como grupos particularmente vulneráveis. Devemos prestar atenção às conclusões e inferências que os autores trazem sobre o assunto.

Um segundo importante tema, contemplado por outros dois artigos referem-se a um assunto corrente na literatura sobre saúde/sofrimento psíquico, com trabalhos importantes publicados aqui. Trata-se da incidência dos discursos psicopatológico e psicofarmacológico sobre a infância. Camargos, Faria e Nascimento nos lembram que o próprio Conselho Federal de Psicologia, em cartilha de 2015, alerta para o risco de se transformar questões de ordem social em domínios médicos, e não hesitam em apontar que, na literatura pesquisada, se reconhece o potencial nefasto da aliança entre a medicina e a indústria farmacêutica. O segundo artigo, escrito por Peruzzolo e Viaro discute a lógica do DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria) em sua quinta versão revisada. Eles abordam, de forma crítica, o problema do diagnóstico e da medicalização psicotrópica excessiva a crianças, apontam para os interesses financeiros envolvidos nessa prática e utilizam três exemplos para justificar o argumento de que há excessos e desvios nos referidos processos: caso de transtornos de humor, do TDAH e do transtorno do espectro autista associados às crianças. O artigo é leitura obrigatória para profissionais da saúde mental comprometidos com abordagens mais humanistas e humanizadoras.

Deixemos a leitora e o leitor curiosos para se debruçarem então sobre a leitura do artigo que versa sobre os cuidados objetivos e subjetivos indispensáveis à população da terceira idade (Ogassavara et al); o artigo sobre o sofrimento psíquico presente nos ambientes de trabalho, tal como estes se organizam hoje (Capucho et al) e o trabalho sobre a modalidade on-line da psicoterapia de abordagem centrada na pessoa (Helena P. Basso). São artigos que nos mostram quão ricos são e podem ser os campos de trabalho dos profissionais da saúde mental, em especial, psicólogas e psicólogos.

Agradecemos a todos que colaboram direta e indiretamente para o êxito desta publicação; agradecemos aos autores deste volume, aos dedicados pareceristas que nos acompanham, ao Reitor e aos Diretores do UNIPAC, Centro de excelência que se apresenta como uma das poucas instituições privadas de ensino superior que investe em pesquisa e em publicação científica.

Desejamos a todos uma ótima leitura!

Centro Universitário Presidente Antônio
Carlos Campus Barbacena-MG

E-mail: revistamental@unipac.br
Tel.: (32) 3339-4967 / 3339.4910

Indexadores